Meio que tudo é um (2017)

by Apanhador Só

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credits

released August 4, 2017

Produzido por Diego Poloni, Alexandre Kumpinski, Felipe Zancanaro e Fernão Agra
“Pelos Olhos do Mundo” coproduzida por Luiz Gabriel Lopes
“Metropolitano” co-produzida por Guilherme Ceron

Mixado por Diego Poloni, Alexandre Kumpinski, Felipe Zancanaro e Fernão Agra
Masterizado por Alexandre Kumpinski, Felipe Zancanaro e Fernão Agra, com a cumplicidade de Felipe Tichauer - Red Traxx Mastering
Produção executiva: Tito, Alexandre Kumpinski, Felipe Zancanaro e Fernão Agra
Produção de base no Morro da Borússia: Henrique Schaefer, Janaina Spode e Tito

Gravado entre novembro de 2016 e abril de 2017 no Castelinho do Morro da Borússia, em Osório, e na sala da casa da Dona Lusa, em Porto Alegre (exceto a faixa “Linda, louca e livre” e a base de “Sol da Dúvida”, gravadas no celular do Alexandre no seu quarto em agosto de 2016)

Desenho gráfico por Daniel Eizirik // Bula diagramada por Alberto Gomez

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Apanhador Só Porto Alegre, Brazil

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Track Name: Sol da Dúvida
SOL DA DÚVIDA
[Alexandre Kumpinski]

o sol do questionamento me abrasa
faço desse sol minha casa

o sol da dúvida me abrasa
tento fazer dele minha casa

o sol que me tira a certeza me abrasa
eu tento fazer dele minha casa
Track Name: Sopro
SOPRO
[Fernão]

cego, quero a breve luz do sol
sombra me carregue
o tempo mede, o espírito me faz pesar

corpo, boca, pele, ponto fim
algo que nos vele
infinito exato do que cederá

o que nos celebra sem saber e quebra assim o que se saberá?
mesmo que o sólido princípio da matéria seja bela forma
que nos cega, luz estética que prega o fim é nada, nada..

será?

plana, plena, etérea, eterna, singela
mistério elementar
certa de pavor e adoração
nuvem de concreto que dissipará

esse eterno vício de sentir na pele o fruto que nos comerá
dentro desse círculo de vozes, faces, símbolos, futuro,
seja cura do efêmero princípio, sopro do que rege tudo ou nada, nada...

será?
Track Name: Teia
TEIA
[Alexandre Kumpinski - Fernão - Henrique Schaefer - Diego Poloni - Luiz Gabriel Lopes - Nica Fochessatto - Jonas Lunardon]

o que te faz rir
te abre o peito
te acerta mais em cheio
mas revela uns troço que eu não sei se eu gosto

calculo fugir
mas não dá jeito
que como tudo é imperfeito
não tem rota de fuga possível
tudo avança e retrocede junto
pouco a pouco em degradê
cada um no seu caminho
ligado em teia a todos os caminhos

problema é quando a gente tá puxando duma corda
do mesmo jeito de quem tá do outro lado
puxando da mesma corda

pode ferir
será direito?
te dá no meio
mas revela uns troço
que talvez eu goste

penso em ficar, mas não dá jeito
que como tudo é movimento não tem freio que consiga interromper
tudo avança e retrocede junto, muito a muito, sem ter fim
cada um pequenininho, constelado em múltiplas direções

problema é quando a gente tá puxando duma corda
do mesmo jeito de quem tá do outro lado puxando da mesma corda
problema é quando a gente tá puxando duma corda
do mesmo jeito (ou quase) de quem tá do outro lado puxando da mesma corda
problema tem também em só ver dois lados e uma corda
quando que tudo é teia emaranhada tecida por muitas cordas

e a espera na estrada por
uma carona pode ser desesperada
a espera na estrada por uma carona pode ser desidratante
a espera na estrada por uma carona pode ser desnecessária
a espera na estrada por uma carona
pode ser…
pode ser…
pode ser…
Track Name: RJ banco imobiliário
RJ BANCO IMOBILIÁRIO
[Alexandre Kumpinski - Lúcia Tietboehl - Danichi Mizoguchi]

alvéolos quadrados respirando gente
alvéolos quadrados respirando carros
alvéolos quadrados respirando motos
alvéolos quadrados respirando sombras
alvéolos quadrados respirando pombas
cachorros e gatos, ratos e baratas

ainda ontem pela praia alguma coisa retumbante em desespero me lembrou você
namorados tropeçavam e eu pisoteava só
choque, camadas, melanina, exposição aos céus
baixo fator de proteção em vários nós

paragadinquidingudincudigundarundêra
zigdagundêra zignaruná
só você e deus
paragatinquidinguidingudingunarunêra
zignarunêra zigdaradal
eu e meus exus

superfantástico, amigo
que bom estarmos vivos!
superfantástico, amigo
que bom estarmos vivos!
apesar que eu tô mal

rajadas de metralhadora
fazendo um arranjo bonito
numa bossa redentora

buquês de fogos de artifício
disparando um agito aflito
num reveillón inesquecível

areia esfoliando os pés
as mãos ao alto rendem jacarés
cabeça feita temperamental

concerto que vai sair caro
rio de janeiro banco imobiliário
quem me garante outra encarnação?

pediu pra parar
não parou
pediu pra parar
não parou
Track Name: O Creme e o Crime
O CREME E O CRIME
[Alexandre Kumpinski - Léo Tietboehl - Lúcia Tietboehl]

época da guarda não compartilhada com direito à visita fim de semana sim, fim de semana não
damasquinho de apartamento tirando yakult de pedra, vendo sessão da tarde e brigando com a irmã
a trema ainda em vigência, o início da auto agência numa vidinha tão verde, inocente, não malemolente
de um player moleque do congo ao avesso
de um player moleque do congo ao avesso
de um player moleque baiano ao avesso
de um player moleque baiano ao avesso

playstation 1, 2
feijão com arroz
playstation 3, 4
teus pé de pato
playstation 1, 2
feijão com arroz
playstation 3, 4
acho mó barato
R1, R2
sou eu depois
iphone 3, 4
3, 4

desculpa nenhuma, nem tua nem minha, de ter na maminha o herdado conforto de berço nos beiço
desculpa nenhuma, nem tua nem minha, de ter na maminha o herdado conforto de berço nos beiço
uh tererê

“que culpa tenho eu se a vida não se deu fora do meu apartamento, apartado e aper...”

desculpa nenhuma, nem tua nem minha, de ter na maminha o herdado conforto de berço nos beiço
desculpa nenhuma nem tua nem minha
desculpa nenhuma, nem tua nem minha, de ter na maminha o herdado conforto de berço nos beiço
desculpa nenhuma nem tua nem minha
uh tererê
uh tererê
o tererê

em dado momento se instalam também gloriosas pequenas batalhas
travadas fora dos condomínios e dos territórios virtuais
longe dos joysticks, enjoying - mesmo que chiques - as ruas
perdendo mais que ganhando embates sociais
num confrontamento lato, um loiro se rende a um mulato
e tira também disso um entendimento mais ampliado
sobre a regência insubstancial do caráter na formação do sujeito
do sujeito que te calça na calçada
assim como na formação dos sujeitos
que subsidiam a subsistência nos apartamentos

todos nem bons nem ruins
necessariamente
todos necessariamente
nem bons nem ruins
necessariamente todos
necessariamente
todos necessariamente
todos

o creme e o crime
o creme e o crime
o creme e o crime
o creme e o crime
a gema e o regime
a algema e a vitrine
o creme e o crime
Track Name: Viralatice dos Prédios
VIRALATICE DOS PRÉDIOS
[Alexandre Kumpinski - Henrique Schaefer - Lorenzo Flach]

olhando a cidade daqui, mais de cima e de longe
eu fico viajando na viralatice dos prédios
eu fico viajando na viralatice das caras
que emolduram semblantes em meio às janelas dos prédios
mesmo que aqui de longe eu consiga nem bem ver as caras

um pombo supera tranquilo a avalanche de rodas
e eu fico pensando nos carros que correm nas vias
e eu fico pensando no sangue que corre nas veias
emitindo e sorvendo, levando e trazendo um montante de gases
e eu fico parado pensando que sangue envelhece petróleo

finas camadas envolvem o chão
toneladas rumo aos céus
nuvem chumbo
grosso véu
benze o chão

guarda-chuvas se abrem nervosos
pontos pretos de cravo
canaletas, bueiros engolem as águas secando a cidade
eu olho meu braço com poros abertos brotando umidade
eu ouço sirenes abrindo berreiros por todos os lados
como um fungo bandido, urgente e sedento a cidade se espalha
Track Name: Bastas
BASTAS
[Alexandre Kumpinski]

confunde ideias, não se furta de dizer “não sei”
afasta tão naturalmente o que não é sincero
e quando dança arrasta tudo em leve fluidez
e quando dança cameralentiza o salão
tudo é tudo, então

de peito aberto, cara aberta, cruza a multidão
corre faceira, abraça inteira, distribui carinho
busca nas coisas ver as coisas como elas são
busca no fundo ver em tudo o que tudo é
tudo é tão tudo, então

aproveita do mar a onda azul do mar e a funda escuridão
aproveita do mar a onda azul do mar e a funda escuridão

todo lugar quando ela chega muda de estação
toda estação que sintoniza sincroniza o ar
sem pressa atrai o que interessa sem se atravessar
ama tudo sem sacramentar
nada e nada, então
Track Name: Paso hacia atrás
PASO HACIA ATRÁS
[Lola Membrillo - Alexandre Kumpinski]

pienso que no hay
paso hacia atrás
no hay trazo en camino que de error
paso a paso soy

amigo del tiempo que quita y que da
soltar me da fuerza, aliviana el andar

viajo el no saber
se ganhar não é perder
perder não é ganhar
quem vai saber
passo a passo voy

amigo del tiempo que quita y que dá
soltar me da fuerza
aliviana el andar

viajo el no saber
si ganar no es perder
perder no es ganar
quien va saber
donde para el tren?
Track Name: Isabel chove
ISABEL CHOVE
[Felipe Zancanaro]

putas entre elas conversam
a cidade hps zona leste centro
chora
Isabel chove
nao vê sentido
revolve a vida a toque
vareja
mosca luminária bojo
luta
paloma sapa bicha
transa e xinga
doutrinas condenadas
umbigo reina e volta uma centelha
lá vem ela
perigo na paisagem que aponta pruma ausência
meio copo de água cheio
e ela anda atenta
bate de frente
espada de são jorge fred astaire princesas disney
enfrenta
o fogo a língua
conto de fada no sentido oposto
vira
um sopapo em golpes baixos
nas ruas
na sua
vocês veem o que eu to vendo?
Track Name: Pelos olhos do mundo
PELOS OLHOS DO MUNDO
[Alexandre Kumpinski - Henrique Schaefer]

pode vir que eu tô à vontade
pessoa linda do cabelo solto
redimunhado todo em que me envolvo

tem um monticoisa que nos separa
tem um monticoisa que nos protege
nos abre o peito, nos mostra a cara
um monticoisa nos fortalece

andava todo emparedado por dentro
andava todo encasquetado por fora
como um refém de um perfil violento
o diferente andava embora

baixei a guarda, respirei um momento
olhei em volta, vi que não tinha borda
se por acaso a bolha calcificasse em dura casca tava foda

pode vir que eu tô à vontade
pessoa linda do cabelo solto
redimunhado todo em que me envolvo

o mundo se vê
através dos meus olhos
que não são meus
eu vejo o mundo
pelos olhos do mundo
meio que tudo é tudo
meio que tudo é um

quero deitar contigo caindo de sono de manhã
Track Name: Conforto
CONFORTO
[Alexandre Kumpinski - Henrique Schaefer]

desenvolvo tudo
movo mundos e fundos
faço deus e o diabo
em nome de um conforto
que nunca me basta
Track Name: Metropolitano
METROPOLITANO
[Felipe Zancanaro - Thiago Sebben - Marcelo Mendes - Alexandre Kumpinski - Diego Poloni - Fernão]

bufa, pisca, venta, gela, grita e some
reclama pelos canos
leva todo mundo
metropolitano
o arrasto enosa uma senhora
que já não tem pressa
perde o seu lugar

se gasta numa quina a idosa
espera a sua vez e, como ela
o espaço é breve, o brete é curto
correria, cotovelos, galerias
que transbordam bípedes

tiro pro alto, maratona, mãos ao alto
me enfio no rolo e me safo
quem sabe amanhã
me pegam de arrasto e numa cilada
me apertam na ponta da faca
no vagão do fundo
vai tá todo mundo
ataco a porta e travo
a ideia é simples: escapar dessa fria
de qualquer forma a gente fica pra trás
ultrapassa e volta pro mesmo lugar

grita, gela, venta, freia, pisca e bufa
faixa amarela pra consolação
um monte de gente
amontoadalata
um monte de gente
amotinada em si

artéria pulsante, na fila, engrossa
sem conexão com a liberdade
furam, encoxam e ninguém olha pro lado
e se um deixar pro outro sem sobrar nenhum
entre o paraíso e a barafunda?

próxima estação: belém
desembarque pelo lado esquerdo de que vem
Track Name: Bandeira
BANDEIRA
[Alexandre Kumpinski - Henrique Schaefer - Fernão]

“qual é a lei que diz como é que eu devo agir?”

uma bandeira pode ser confortável
te dando sombra e algum guia
tremula ao vento
se agita
ondula
e não sai do lugar
fixada em postes
presa por uma corda que
não se importa em lhe servir
sem se questionar
sem dar conta que o vento que passou
voando ali
já tá lá
Track Name: Linda, louca e livre
LINDA, LOUCA E LIVRE
[Alexandre Kumpinski]

eu não te quero de branco
eu não te sonho no altar
eu te quero linda, louca e livre
lado a lado enquanto ainda nos faça algum sentido estar
lado a lado, frente a frente
dois elos de uma corrente
que o acaso aos poucos vai fazendo e desfazendo encadear

e mesmo que haja medo
de te perder por aí de vista
tanto quanto me é possível
eu não quero que esse elo lindo se transforme em algema

eu não te quero de branco
eu não te sonho no altar
eu te quero linda, louca e livre
lado a lado enquanto ainda nos faça algum sentido estar
lado a lado, frente a frente
dois elos de uma corrente
que a vida aos poucos vai fazendo e desfazendo encadear

e mesmo que haja medo
de te perder por aí de vista
tanto quanto me é possível
eu não quero que esse elo acabe se tornando algema
Track Name: O corpo vai acabar
O CORPO VAI ACABAR
[Thiago Ramil - Alexandre Kumpinski - Ian Ramil]

o corpo vai acabar
depois de tanto espalhar
gestos, rastros
incontáveis passos

o corpo vai espalhar
mesmo depois de acabar
seus pedaços
num infinito lastro

sem volta
acha o eixo e reinventa a roda
em novos corpos no amanhã
rebentando em muitas direções

e brota em outras notas
reverbera em ondas
vastas margens fractais
que se arranjam
em outros finais